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Case destaque - Coleção armas de guerra

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Modern Warfare: uma super propaganda do exército americano?

Postado por rafael em fevereiro 14, 2010 na categoria Games

Senti-me extremamente incomodado ao jogar pela primeira vez Call of Duty 4: Modern Warfare na semana passada.

Não pretendo neste post discutir a qualidade do jogo em si, mas sim qual o seu propósito no mundo atual – ou melhor, moderno. Não digo que o que escrevo abaixo foi intencional por parte dos desenvolvedores, mas acredito piamente que a mensagem passada pelo jogo é algo bem próximo do que senti. E provavelmente muita gente nem pensou a respeito, o que é ainda mais perigoso e comprova minha teoria.

Fato é que, após ver tanto debate sobre a tal fase terrorista de MW2, resolvi jogar o primeiro que nunca havia experimentado ainda. Na verdade, nem gosto tanto assim de FPSs mesmo, pois, como disseram no blog destructoid, não me interesso pelo tema “cara normal com armas enfrenta outros caras normais com armas” em videogames.

Bom, não sei quanto a vocês, mas logo nos primeiros instantes, nas primeiras fases, já comecei a me sentir mal, e gostaria de compartilhar estes sentimentos. Por isso, já aviso:

[ATENÇÃO: SPOILERS!!]

Passei a fase de treinamento meio que correndo e inclusive até brincando de pular feito um macaco na frente do meu capitão, mas assim que começou a primeira fase (chamada “Crew Expendable”, ou “Tripulação Descartável”), na qual invadimos um navio russo, fiquei assustado com a frieza com que tudo é retratado: nós todos matamos à queima-roupa soldados que estavam apenas dormindo! O motivo disso tudo? Supostamente carregavam arsenal nuclear e inteligência a respeito de um revolucionário árabe (chamado no jogo de ultranacionalista).  Logo em seguida, sou bombardeado com cenas que mostram um Oriente Médio completamente absurdo e estereotipado, literalmente com um tiroteio a cada esquina e militares vidrados, que matam um presidente eleito “por direito”, o que, é claro, é justificativa mais do que suficiente para os EUA e a Inglaterra enviarem dezenas de milhares de soldados para matar e morrer.

No restante do jogo, não há mais nenhuma justificativa ou explicação para nenhuma das cenas de atrocidade. Você é um soldado, você recebeu ordens e você vai cumpri-las. Simples assim. Não seria isso um pseudo-conformismo com relação à situação atual do Oriente Médio? Não é bom para os americanos realmente não pensarem muito sobre tudo o que acontece por lá? Por que em nenhum momento o jogo diz que os EUA têm interesse no petróleo e na economia baseada em guerra e belicismo, que tem como maior fonte de renda exatamente esta região do globo?

O tal comandante ultranacionalista é uma clara alusão ao Osama Bin-Laden, e sua aparição (burra) ao final do jogo, esperando apenas levar o tiro nas costas vindo de um soldado anônimo, mesmo que britânico, deve ser o “sonho molhado” de muitos republicanos.

Convenientemente, você joga ao lado do serviço secreto inglês (o SAS, do qual Liquid Snake também fez parte =P) e dos Marines americanos, os famosos pau-pra-toda-obra. Seus personagens, contudo, assim como os membros de seu batalhão, são completamente desprovidos de qualquer personalidade. Isso também não pode ser um indício da pasteurização com a qual o exército imbui seus soldados – o que inclui a raspagem do cabelo e barba, a ponto de fazê-los não se importarem sobre quem vive e quem morre no campo? Se houvesse algumas cenas além das de guerra, na qual os soldados mostrassem um pouco mais de seus gostos, opiniões, com certeza o jogo tomaria um rumo bem diferente. Talvez você se importasse com os soldados, suas perdas ficassem mais significativas. Os jogadores se questionariam se a “guerra contra o terror” realmente vale o que dizem. Não acredito que foi sem razão o fato de todos serem apenas “bots” lutando ao seu lado.

Por que a cada instante eu tenho que ser lembrado que um F-22 custa mais de U$ 150 milhões? Para que todos entendam pra onde vai o dinheiro dos impostos? Para que os soldados entendam porque é mais importante proteger um tanque do que sua própria vida?

Mas a cena que mais me deu calafrios foi a que me deixou no controle de um bombardeiro. Ver aquela cidade em miniatura, táo distante, pronta para explodir apenas com o meu desejo e um apertar de botão. O que me deu medo não foi o fato de EU poder fazer isso, desintegrar algumas dezenas de vidas em um instante. E sim que provavelmente agora, neste intante, tem alguém fazendo isso. E com os comentários sarcásticos de seus companheiros, como “Ka-boom!” e “Good Kill” sendo repetidos em sua orelha e sendo motivo de piada no jantar. “Viu aqueles três russos tentando pular o muro? Haha, esperei com que eles achassem que estava seguro e aí explodi um por um!”.

Aliás, cada pessoa executada friamente por você – ou seja, quando não está no meio do tiroteio desenfreado – é rapidamente amenizado por uma piadinha de um de seus companheiros. “Tango down”, “Keep quiet”.

Enfim, o exército é claramente apresentado como uma força a ser reconhecida e admirada, nobre, honesta e verdadeira, agindo apenas por causas justas. A mim, parece um oportunidade perdida de discutir a guerra, seja isso calculado ou não – afinal, Modern Warfare 2 já é um dos jogos mais vendidos da história. Quem pensa apenas “é só um jogo de tiro” está completamente desligado da atualidade, pois o videogame provavelmente é a mais poderosa forma de comunicação e entretenimento entre os jovens – exatamente os jovens que vão para os campos de guerra. Não acredito que seja apenas coincidência.

Caso ainda duvidem, o próprio exército norte-americano já disse que jogadores de FPS são de 10 a 20% mais eficientes em guerra, ou, nas palavras dele, em “combate ao terror” do que os não-gamers.

E vocês? O que acham?

Post original no Warpzona

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Comentários (1)

  1. Rodrigo Cardoso
    fevereiro 17th, 2010

    Eu acredito que isso é muito da cultura dos Estadounidenses (cultura da massa claro). Eles REALMENTE acham q estão sempre fazendo a coisa certa e que o exercito está sempre tentando ajudar sem segundas intenções.

    Como é um jogo feito para essa massa, não me surpreendo com esses casos do jogo.

    Recentemente joguei ate o fim tb e não gostei de muita coisa do q vi.

    Mas olhando por outro lado o jogo cumpre Epicamente a ideia de fazer vc se sentir um soldado numa guerra. Talvez por ser tão bem feito (ou por ter uma bilionaria empresa por tras…), seu impacto na midia defamatória foi amenizado.